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Só mais uma garota ruiva, bissexual, geek, gostosa e carente que quer um amor na vida. Mentira, isso é só pra atrair leitores.

29.1.11

Extra 01: Sweet Disposition

"Esta não é uma história de amor. É uma história sobre amor."



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A Feira de Ciências do colégio Olimpus no ano de 2005 foi um evento fascinante. Não por causa dos seus esforçados alunos que fizeram pesquisas durante meses só para poder apresentar algo decente a quem fosse assistí-los. Não, aquilo era muito chato, credo. A atração principal do dia, por sua vez, foi um aluno. A única pessoa naquela convenção repleta de teorias científicas e explicações racionais que agia instintivamente, irracionalmente. Agia por amor. E, vejam só que surpresa, esse alguém era eu.



A idéia dos coordenadores para a Feira de Ciências era simples: Dividir cada grupo em dois subgrupos, cada um se apresentando durante metade do tempo de exposição. Assim, todos teriam tempo para visitar as outras barraquinhas, ouvir atentamente ao que eles dizem e absorver mais um pouco de cultura. Todo mundo sabia que era porque não tinha espaço suficiente pra agrupar todos de uma vez só, mas vamos dizer que seja isso. O fato é que eu e as pessoas do meu subgrupo já tínhamos terminado nosso turno, o que nos deixava absolutamente livres para fazer o que quiser. Saímos de nossa barraquinha extremamente felizes, até nos lembrarmos de algo.

Era tudo EXTREMAMENTE entendiante.

Nesse contexto, éramos quatro pessoas.

-Nohan: Um rapaz jovem, meio nerd e apaixonado que coincidentemente é o protagonista desta história, e mais coincidentemente ainda sou eu.

-Luana: A garota por quem eu estava apaixonado. Descendente de japoneses e cheia de fatos curiosos (que ainda não terminaram de ser apresentados, fiquem ligadinhos), usava um laço na cabeça extremamente bonitinho no dia. Fato curioso: ela provavelmente me achava um babaca.

-Clara: Melhor amiga de Luana, mais grudada nela do que chiclete em sapato caro. Até então, eu a achava uma vadia cuja principal fonte de prazer era atrapalhar minha vida.

-Marcos: Meu melhor amigo e companheiro de aventuras da época. Na verdade ele é irrelevante nesta história, ao contrário do pastel de queijo que ele me pagou. Aparecerá de novo posteriormente, com papéis mais importantes.

E lá estávamos nós, entediados. Luana e Clara conversando, Marcos fazendo nada e eu comendo pastel. Bem, na verdade comer pastel era somente um disfarce. O que eu tramava secretamente na minha mente era um plano para me reconciliar com a Luana. Lá estava ela, a duas pessoas de distância, e eu sequer tinha uma frase legal pra começar uma conversa. Obviamente, a idéia de que eu estava comendo um delicioso pastel de queijo e que poderia oferecê-lo para ela não me veio a cabeça. Mas veio na cabeça dela, então deu no mesmo.

-Nohan?

-AICARALHO oi?

-Me dá um pedaço? Tô meio com fome.

Depois de eu a dar instintivamente todo o resto do meu pastel, parece que conversar ficou mais fácil. A parte mais difícil tinha sido dar o primeiro passo e dizer algo (passo que não foi dado por mim, mas na minha cabeça era a mesma coisa). Logo estávamos nós quatro conversando alegremente, e eu me saindo bem na missão de não parecer um completo idiota. Minha amada, então, disse uma das coisas mais impressionantemente loucas que já saíram de sua linda boca.

Fato 04: Luana tinha uma mente absurdamente fértil, beirando a insanidade.

Não lembro sobre o que conversávamos na hora, mas a idéia de amarrar alguém com fita adesiva com certeza não fazia parte do tópico principal. Naturalmente, então, todos pararam imediatamente de conversar uns com os outros e passaram a observá-la, levemente assustados.

-É sério! Essa Feira tá chata demais, precisa de alguma coisa pra animar o lugar LOL

A idéia de finalmente haver uma Feira Cultural com uma certa agitação era de fato tentadora. Todos os alunos daquele colégio estavam cheios de ter que apresentar seus trabalhos todos os anos lutando contra o sono e a vontade de bater nos seus espectadores que não paravam de fazer perguntas, fingindo estar interessados. Poderíamos ser heróis! Nos tornaríamos aqueles que salvaram a Feira de Ciências de 2005! Logo a idéia tornou-se um objetivo a ser cumprido a qualquer custo. Era só encontrar alguém babaca o suficiente pra aceitar ser amarrado em fita adesiva durante um tempo indeterminado.

-Que tal o Cláudio?

-Não, acho que ele não vai querer.

-A Ramona?

-Não.

-O diretor?

-Ninguém quer ser expulso aqui, então não.

-Então que tal... - e senti um olhar extremamente hostil na minha direção, com um sentimento quase fatal.

-Então, Nohan, será que você faz isso pela gente?

Era a Clara, a safada. Dava pra sentir aquela intenção maliciosa e o veneno saindo pela boca dela. Eu estava prestes a começar a protestar, mas no momento surgiu mais um olhar em minha direção. Dessa vez não era de hostilidade, mas de esperança. Luana olhava pra mim como se eu fosse o único que pudesse salvar a dignidade daquele colégio, o único que pudesse agradá-la naquele momento. O único homem na face da Terra que podia deixá-la feliz, mesmo que fosse se fazendo de babaca.

Algumas horas depois, um rapaz amarrado com fita adesiva foi encontrado dentro de uma sala de aula no terceiro andar do colégio. Ele estava meio fraco e semi-inconsciente, então tudo o que pôde perceber foram vozes. Algumas preocupadas, outras com um tom de diversão, mas todas perguntando se o rapaz era idiota.

Curiosamente, ele perguntava a si próprio a mesma coisa.







P.S: A primeira frase foi tirada de (500) dias com ela, seus incultos.

17.1.11

Anything

Stalker: Palavra derivada de stalk, uma expressão em inglês que significa perseguir, espreitar. Stalkers, portanto, são pessoas que perseguem algo ou alguém com incrível competência, sem nunca serem notados. Eles podem ser divididos em dois grupos:


1- O stalker clássico

É o tipo de stalker predominante desde e Era Medieval. Ágil e inteligente, ele treina seu corpo e mente desde pequeno com o único objetivo de nunca ser notado. Escondido em dutos de ventilação, dentro de barris de merda ou simplesmente no meio da multidão, este tipo de stalker consegue chegar perto de sua fonte de informação sem absolutamente ninguém sequer imaginar sua presença no recinto. É conhecido também como "O Homem Invisível".


2- O stalker moderno

Desde o advento da tecnologia moderna, esse tipo de stalker vem crescendo em proporções extraordinárias. Cresceram tanto que alguns tornaram-se espantosamente hábeis no que fazem, e fizeram do stalkeamento o seu ganha-pão. Hoje, várias empresas contratam stalkers para usarem todo o seu conhecimento tecnológico a fim de descobrir segredos sobre seus rivais, seus próprios aliados, das suas secretárias e até mesmo da galera que joga bola com eles. São os chamados "Camaleões Eletrônicos".

Outros não têm necessidades de tanta magnitude, e aprendem somente as técnicas básicas de stalkeamento com o material de que eles dispõem. Tendo como armas principais o Google e suas contas fake nos principais sites de relacionamento, este tipo de stalker é mais conhecido como "O Filho da Puta".


De qualquer maneira, ter habilidades de stalker abre muitas portas na vida de uma pessoa. Você pode descobrir segredos das pessoas que gostam de você, descobrir segredos das pessoas que NÃO gostam de você, descobrir os segredos do seu futuro chefe para suborná-lo na hora da entrevista de emprego, descobrir segredos ultra-secretos do governo americano, entre várias outras. Mas a mais importante de todas, na minha humilde opinião, é poder saber tudo sobre a pessoa que você gosta. E é nesse quesito que eu me encaixo.



Até o presente momento, eu nunca tinha sido capaz de obter muitas informações sobre a Luana. Primeiro porque eu não tinha nenhum tipo de contato com ela. Exceto visual, mas isso durava menos de um segundo; no momento em que ela dirigia o olhar para mim eu virava o olho e fingia que estava fazendo outra coisa coisa que não fosse observá-la por horas. Segundo porque eu ainda não tinha muito conhecimento sobre internet, sites de relacionamento e coisas desse tipo. Na época, meu conhecimento sobre computadores se resumia aos comandos de Counter-Strike, e só. Mas quando a porta daquela sala de aula se abriu, tudo mudou. Era como se o destino estivesse me dizendo "estou fazendo minha parte, seu filho da puta. Agora vê se faz a tua". Todas as portas do mundo estavam abertas para mim, e eu estava livre para fuçar a vida dela até dizer chega. Pelo menos em teoria.


O plano era bem simples: Pesquisar sobre a vida da Luana, descobrir fatos sobre ela, perceber o que temos em comum e então começar uma conexão baseada nisso. O primeiro fato foi bem fácil de descobrir, estava estampado no peito dela.


Fato 01: Luana gostava de Samurai X.


-Ô Luana, esse seu cordão é de Samurai X, né?

-Ué, é sim. Por quê?

-PUTZ SÉRIO NUM ACREDITO EU ADORO SAMURAI X KKK BLABLABLABLA- E fiquei falando sozinho de Samurai X por mais uns 10 minutos.


Fato 02: Luana não gostava de retardados.


Depois de perceber que eu estava falando com a parede e que a Luana tinha ido comer pastel com uma amiga, me toquei da merda que tinha acabado de fazer. Obviamente, ela me achava um total idiota agora. Alguém que não tem mais nada na cabeça além de jogos de videogame e jutsus de Naruto. Fui então pra um canto da sala, sentei numa carteira qualquer, olhei fixamente pro teto e comecei a ter um dos meus momentos de profunda reflexão.


Certo, Nohan. Você acabou de mostrar o seu lado mais retardado pra pessoa que você mais gosta na vida. Ok, isso ia acontecer hora ou outra. Mas PORRA, tinha que ser agora?

Não, não, calma. Pensa. A situação não deve estar tão ruim como você pensa, não é? Ainda restam as reuniões do grupo e, querendo ou não, ela vai ter que falar contigo. E quando isso acontecer, quero que você esteja preparado psicologicamente pra não fazer merda de novo, e dessa vez mostrar o seu lado mais gentil, carinhoso e amável. É. Funciona no The Sims, acho que vai dar certo na vida real. Tem que dar certo.


Não deu certo. Em todas as reuniões do nosso grupo do trabalho, ela pareceu me evitar o máximo que pode. Falava comigo somente o essencial e depois fingia estar ocupada com alguma coisa como observar pombos copulando, ou algo do tipo. Além disso, a Clara estava sempre do lado dela, o que tornava meio impossível a possibilidade de eu termos uma conversa a sós.


Ah, é mesmo. A Clara.


Fato 03: Luana tinha uma amiga inseparável, a Clara.


E quando eu digo inseparável, falo de verdade. Clara era o tipo de amiga que nunca desgrudava. A Luana ia comprar pão, lá estava ela. A Luana ia fazer as sombrancelhas, lá estava ela. A Luana entrou pra um grupo na Feira de Ciências que vai visitar os principais lixões da cidade e pegar umas doenças com o objetivo de apresentar um trabalho pra um monte de gente que só finge que está prestando atenção, e lá está a vagabunda. Por todo o tempo que duraram as reuniões, eu odiei essa garota. Mas, mais uma vez, o acaso agiu sobre a minha vida.



A Feira de Ciências já havia terminado a cerca de duas semanas. Todos apresentaram seus trabalhos, ganharam 3 pontos de graça, e cada um foi pro seu lado. Como a Luana estudava em uma outra unidade do meu colégio e eu só ia lá uma ou duas vezes na semana por causa das aulas de educação física, ficava meio estranho tentar conversar com ela novamente. Então, mais uma vez, passei a ficar somente observando-a de longe, admirando-a, imaginando e me matando por dentro por ter feito aquela besteira. E eu estava andando pela rua perturbando minha mente com esses pensamentos depressivos, quando uma voz surgiu atrás de mim.


-Nohan? Oi!


Era a Clara. De todas as pessoas do Universo, encontro na rua a que eu menos desejava ver. E ela nem tava com a Luana do lado dela, essa safada. Mas como o ser humano tende a ser falso em situações como essas e fingir que está feliz por ver a pessoa, esbanjei um sorriso e respondi.


-Ah, oi Clara! E aí, tudo bem?

-Ótimo! E contigo?

-Não. Não tô bem, não.


Até hoje não sei o motivo de eu ter respondido isso. Talvez porque eu odiava a garota e queria que ela soubesse o quanto ela atrapalhou a minha vida, ou simplemente porque eu precisava muito me abrir pra alguém, mas todos os meus amigos eram retardados da minha idade cuja principal diversão era abaixar as calças e pegar no pinto um do outro. O fato é que passei mais de 15 minutos falando da minha situação, com ela ouvindo atentamente. Quando eu finalmente terminei de falar e estava pronto pra ouvir alguém chorando de rir na minha frente, ouvi algo um tanto inesperado de uma pessoa que você odeia:


-Ué, por que não falou comigo antes, então? Eu te ajudo.


Sabe aquelas coisas de desenho animado, onde o queixo do cara cai no chão e a língua sai rolando até o outro lado da rua? Se fosse fisicamente possível, isso teria acontecido comigo naquela hora.